sábado, 17 de fevereiro de 2018

E agora senhor primeiro ministro, já podemos falar da questão do futebol?

 



    O clima anti-desportivo de pressões sobre as instituições desportivas, democráticas e judiciais, por parte do Sporting e do Porto, ultrapassou o limite tolerável num país civilizado. O governo até agora mantém o silencio e nada fez quanto ao assunto, sendo a praça publica e a comunicação social locais escolhidos para o lavar de "roupa suja" desportiva. Um verdadeiro "polvo" não para de crescer com queixas sucessivas às instâncias judicias com objectivo de fazer o barulho necessário para conquistar objectivos desportivos. Ataques há imparcialidade da justiça e do governo que culminam com a queixa ao Ministério Público e as buscas no Ministério das Finanças. 
 
   O alastrar deste clima necessita de um travão. A justiça não o tem de fazer, tem de célere, mas pode ajudar a colocar ponto final se não fosse atrás dos directores desportivos e do clamor das redes sociais. Não é algo normal, nem pode ser aceite naturalmente este comportamento por clubes de futebol. Estão a pedir transparência, quando o sentido é ganhar no opaco. O desejo de destruir o adversário sem qualquer peso na consciência em colocar em causa jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, federação, Liga, Justiça e agora o Governo. 


   Até quando o Governo vai assistir sereno a esta situação? Até quando as instituições democráticas vão ignorar esta palhaçada protagonizada por gente que não quer bem ao desporto, que utilizam o futebol como mote para o caos.
  
  É dever, enquanto instituições, pôr cobro a este ambiente de calúnias e insinuações provocadas por a selvajaria que se apoderou do futebol. É querer tirar dividendos de verdadeiros exércitos de fanáticos que enchem bancadas e redes sociais. Por algum sítio tem de se começar, e irradiar os clubes do espectro desportivo pode, e deve, ser uma opção. 
  
  O governo não  pode compactuar com esta situação. A ERC, mais que nunca, tem de por fim há utilização dos órgãos de comunicação social como veículos de mensagem entre os instigadores e os fanáticos. Não podemos tornar a comunicação social uma espécie de mensageiro dos directores de comunicação para atiçar as massas. Há que dizer Basta!
   
 A justiça tem de  parar esta anormalidade, não compactuar com ela, nem utilizar para "ajustes". Investigar um alegado favorecimento para dar resposta ao barulho dos fanáticos não é fazer justiça, é entrar no caminho do populismo. O dever da justiça não é dar resposta aos crimes do desporto, nem respostas a directores de comunicação.

   Por um basta nisto tudo tornou-se urgente, já chegamos a um ponto que a tolerância já não pode existir, nem o ministro da educação pode falar em Realty show's. Está na hora de por o desporto na ordem, custe o que custar, doa a quem doer, mas que doa principalmente a quem utiliza a posição para envergonhar o desporto, humilhar os nossos atletas,  difamar instituições e por detrás dos biombos utilizar a justiça para atacar terceiros e fazer o que for preciso para ganhar fora de campo aquilo que não ganham em campo.
   
 Senhor primeiro-ministro, não está na hora de falarmos de futebol, ou do futebol? Está! Está na hora de pormos está selvageria na ordem, mesmo que para isso se chegue às últimas consequências.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Entre a inutilidade e a parvoíce...


  











   Serve esta postagem para referir vários assuntos que ocorreram nos últimos dias e deixar sobre estes a minha opinião entre o sarcástico e o irónico. 



Dividirei estas opiniões entre inutilidades e parvoíces:



A inutilidade é apenas uma é que se soube que a Procuradoria Geral da República (v. PGR) gastou mais de meio milhão num software para impedir a violação do segredo de justiça, ou pelo menos para permitir mais controle sobre os processos. O Sistema de Investigação Criminal do Ministério Público (v. SIC-MP), sim o bichinho tem nome, é das maiores inutilidades em que se gastou dinheiro e infelizmente gastam este dinheiro de maneira a nos fazer todos de trouxas. Permite segundo as fontes do Ministério Público "o rastreio de quem acedeu a qualquer processo, esteja ou não em segredo de justiça". O mais ridículo desta inutilidade é que nos quer fazer crer que o programa Citius (cujo o nome correcto é Habilus-Citius) que é a atual plataforma de tramitação dos processos, já realiza estas mesmas operações e detém estas mesmas facilidades, podendo as mesmas ser ainda mais incrementadas mas, ao que parece, a opção da PGR, isto é, do Ministério Público, foi a de desistir desta plataforma. 

Por 574 mil euros, a PGR autonomizou-se dos tribunais e com uma equipa de funcionários da empresa PDM&FC, que vendeu o programa por ajuste direto e uma equipa de magistrados especializados em informática, trabalham para operacionalizar o sistema nos próximos dois anos. O normal é que a comunicação social, reproduz a notícia do Expresso e da SIC sem nenhuma investigação ou contraditório, e classifica a plataforma Citius como obsoleta, segundo fontes da própria máquina judicial, o Citius é hoje uma plataforma incontornável, imprescindível e completamente abrangente, desde os tribunais de primeira instância até ao Supremo Tribunal de Justiça, esta ferramenta de trabalho e arquivo de todos os processos está cada vez mais aperfeiçoada, nunca parou de ser modernizada, nunca deixou de acompanhar todas as necessidades legislativas, estatísticas e comunicacionais que lhe foram solicitadas, mantendo-se a ser desenvolvida por Oficiais de Justiça.

Esta plataforma que hoje vale milhões de euros, foi apelidada de obsoleta para que mais um negócio dos amigos da Joana seja concretizado, ou seja, tomam-nos por parvos, ganham uns cobres e compram uma inutilidade. É que a pergunta que fica é: se são os magistrados que estão à frente dos processos que são os maiores e provavelmente os únicos promotores de fugas do segredo de justiça, rastreará este programa o quê? Que o próprio magistrado do Ministério Público foi o único que acedeu ao mesmo!?!?!



A parvoíce moderada da semana vem do Secretário de Estado do Ambiente. Não é que o governante, que disso tem pouco com estas tiradas, disse entre outras coisas acertadas e cito que e em relação aos carros eléctricos apenas: "está prevista a manutenção dos incentivos e que pode se estar a ponderar o número de cidadãos contemplados mas que o pacote de incentivos é muito competitivo". Nós todos compreendemos as restrições orçamentais e que deve haver prioridades, mas caros amigos, que raio de visão é esta de não aumentar de forma paulatina em mais mil o número de carros eléctricos isentos em média por ano, para que o efeito multiplicador de compra seja induzido neste campo para que o número de poupança para todos nós seja muito maior enquanto país. É que a não importação de combustíveis fósseis e a não poluição até permitiria que a proposta da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (v. ACAP) fosse uma realidade, ou seja, do acabar com os limites de incentivos para os primeiros x carros fosse uma realidade. A visão limitada deste governante é a triste realidade do que temos. 



E agora vem a parvoíce de peso, uma jovem Palestina, de seu nome, Ahed Tamimi, que pelos vistos é especialista em agredir polícias e militares israelitas, foi e bem presa e está a ser julgada e bem como terrorista. Num qualquer país do mundo esta jovem era uma criminosa e deveria como é óbvio ser julgada como criminosa e até ser internada como louca. Mas como é uma pobrezinha de uma palestina e quem esta agride são os mauzões dos judeus, aqueles seres que cheiram mal e têm narizes retorcidos e mandam no mundo e até espezinham e ocupam a terra que não é deles, que como eu aqui já demonstrei é um dos maiores absurdos ditos à face da terra, ela é uma mártir. Caros jornalistas e esquerda conhaque e extrema-direita reaccionária associada, metam a vossa martirização num local que eu cá sei, e olhem para os factos e deixem-se de parvoíces. Lugar de criminosos é na cadeia, tenham a idade e a nacionalidade que tiverem.




  

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Encontro Nacional Pela Justiça Climática


Partilho convosco o anúncio relativo ao 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática. 


Terá lugar no próximo domingo, 11 de fevereiro, das 10:00 às 18:00, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A entrada é gratuita.


Serão abordados temas tão diversos como os incêndios que assolaram o país no verão passado e o quanto as plantações certas podem ajudar na prevenção e combate aos fogos; a emergente mineração dos fundos marinhos; a temática dos transportes públicos; as ameaças aos direitos humanos provocadas pelas alterações climáticas; a exploração de combustíveis fósseis em Portugal e as alternativas que podemos aplicar.

Contaremos ainda com a participação de ativistas de outros países numa perspetiva de partilha de experiências.


As nossas sociedades estão a fazer escolhas decisivas para as décadas que virão. Existem ainda muitas incertezas no nosso futuro coletivo e os sucessivos governos portugueses têm demonstrado alguma volatilidade nas suas ações e discursos no que toca a políticas energéticas.

Os países da Europa têm que encerrar todas as centrais de carvão até 2031 para cumprir os seus próprios compromissos – que constituem apenas metade do que é necessário para reverter o caos climático - mas o governo português continua a subsidiar a EDP e estendeu o prazo das centrais de carvão de Sines e do Pego até 2030.

Recentemente, o governo assinou um acordo com Espanha para aumentar a capacidade do Porto de Sines e para construir 160 km de novos gasodutos, afim de receber gás de xisto (fracking) dos EUA. No entanto, o primeiro-ministro António Costa continua a dizer que o país será carbono neutro em 2050.

O furo de prospeção de petróleo e gás em Aljezur caducou, mas a Galp fez saber que tenciona perfurar na primavera. Estão a chegar os furos na Zona Oeste e na Batalha/Pombal e há um silêncio enorme sobre estes. Desde Pedrogão Grande até aos furacões nas Caraíbas, a crise climática está a fortalecer-se. Por todo o mundo, as comunidades indígenas, os trabalhadores e jovens estão a levantar-se para contrariar as injustiças sociais e climáticas.

O Encontro não é só para ativistas, mas também para todas as pessoas que gostavam de fazer mais para reverter a crise climática e pensam que não têm as ferramentas! Contamos com a presença da sociedade civil! Só desta forma conseguiremos exigir aos nossos representantes alternativas credíveis que nos protejam e às gerações futuras.



Programa completo aqui.


Post também publicado no Esquerda Republicana

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Foi você que pediu um linchamento público?











É que se não foi você, pelos vistos foi alguém que o encomendou?

     Já aqui relatei a forma despudorada neste Blog, da atuação desta PGR, Joana Marques Vidal, e do seu clã e clãs que nesta justiça atuam de forma impune e como é que surgiu desde os anos 80 esta ligação a negócios perigosos e dúbios e a falta de responsabilidade e total impunidade com que atuam.

     No meu artigo anterior que intitulei, #NãoAdoptoEsteSilêncio, referi que no conhecido caso judicial Casa Pia, esta clique de interesses escusos tentou decapitar, felizmente sem sucesso, a liderança do PS e que após esse insucesso começaram a afiar as garras para outros políticos e governos do PS. Sim a perseguição é clara e partidária, não há duvidas, até porque casos muito mais gravosos e bem fundamentados e provados em instâncias externas, como os Tribunais alemães, espanhóis, italianos e gregos, no caso dos Submarinos e das Contrapartidas Militares e da Comissão Europeia, no caso da Tecnoforma, foram completamente ignorados de molde a proteger quem politicamente protege ao mais alto nível esta clique familiar de interesses escusos dentro da área judicial.

     Mas e isto tudo vem a propósito do recente "escândalo" (dentro de aspas porque foi tudo menos isso) a propósito do caso de Mário Centeno e dos Bilhetes do Benfica.

Resumindo o caso:
1. Mário Centeno vai "à bola" no dia 1 de Abril de 2017, com o filho e porque é Ministro das Finanças e objecto de medidas especiais de segurança por ameaças veladas à sua vida, pede como todos nesta situação, ao Sport Lisboa e Benfica que o acolha na chamada "tribuna VIP" e/ou "tribuna Presidencial" (como é oficialmente chamada dentro do clube em questão), pois o jogo que iria ver se realizava no estádio desse clube. O clube concede-lhe essa autorização, que é dada a nível gratuito, pois não existiram nunca nem existirão bilhetes para a tal "tribuna VIP" desde que existe o clube em questão, tenham os jogos se realizado neste ou nos outros dois estádios que já possuiu. Ressalva-se ainda que, Mário Centeno, é adepto/sócio do Benfica e que assistiu a muitos jogos nos últimos 45 anos neste estádio e no outro estádio e que só na época passada e por motivos de segurança se sentiu na necessidade de ter que efectuar este pedido.
2. Sabe-se que após a denuncia deste caso por alguns órgãos de comunicação social a partir de 5 de Janeiro de 2018, o Ministério Público faz, em 22 de Janeiro, buscas ao Ministério das Finanças, alegadamente e na altura era para um processo em segredo de justiça e ainda sem a a constituição de arguidos e que estaria a ser investigado pelo DIAP;
3. Na capa do Expresso, e inserido num outro artigo mais vasto sobre o clube em questão, vem a cândida noticia que os tais bilhetes, serviram para um eventual recebimento indevido de vantagem, por parte deste clube, de alguém (mais tarde sabe-se que é Mário Centeno) ter alegadamente intervido em processos de isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (v. IMI) por parte de um filho do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira;
4. O Expresso cita fontes, e mais tarde (versão on-line) corrige o artigo e cita outro Jornal, o Correio da Manhã, que também nesse Domingo faz manchete on-line e em capa impressa sobre o assunto, citando o Expresso, que em abono da verdade não põe nesse Sábado o nome ao investigado, Mário Centeno, só pondo esse nome na versão on-line de Domingo. O jornal on-line Observador e no mesmo dia, Domingo, cita o Expresso e avança também com a notícia;
5. No meio desta confusão toda sabe-se que: Nem os processos de isenção de IMI são decididos pelo Ministério das Finanças; E mesmo que alguma isenção fosse dada, nunca iria ao Ministro, pois sempre foi uma ação balizada juridicamente e tomada pelos serviços de finanças localmente;
    O que tem em comum este caso de carochinha e de linchamento público?

     Primeiro baseia-se em três órgãos de comunicação social, que a par com a Revista Sábado, serviram nos últimos anos para que o Ministério Público divulgasse de forma impune e sem nenhum pudor: as buscas que faz; noticias das suas suspeitas não fundamentadas de molde a torná-las públicas e factos aceites; partes do processo em investigação de modo a terem uma aprovação popular sem reservas e destinados a fundamentar decisões de juízes que em nenhum país democrático do mundo seriam aceites; e por fim o truncamento de testemunhos, noticiais falsas e alegadas afirmações nunca ditas de modo a tornar credíveis qualquer linha de investigação por muito absurda que esta pareça a uma pessoa minimamente racional.

     E foi o que aconteceu com a alegada afirmação falsa, de que Mário Centeno tenha dito, que "caso fosse constituído arguido neste caso se demitiria".

   É de tal maneira ridículo este linchamento popular que, não interessa, ou interessou aos três órgãos de comunicação social em causa, que, o Ministério das Finanças nada intervenha em questões de isenção de IMI e que tal noticia pela raiz, seja totalmente falsa. Para isso contribuiu largamente, Joana Marques Vidal e a sua PGR/DCIAP, que ao não esclarecerem qualquer coisa em relação a este caso, de forma cúmplice mantiveram a pressão sobre o Ministro e o seu Governo durante seis dias, como espada de Damocles de chantagem absoluta.

   Eis a retaliação desta por o governo não continuar a apoiá-la/sustentar a sua incompetência e um aviso claro que tem que ser nomeado alguém destas famílias e clãs de Justiça para que o governo não caia.

     Aliás, este caso não pode ser desligado de outro, também um aviso a este governo e aos militantes/dirigentes do PS, que podem e serão todos constituídos arguidos à minima suspeita de que haja uma irregularidade. O caso em questão prende-se com o facto de o Ministério Público acusar dois ex-governantes, José Magalhães e José Conde Rodrigues, de uso indevido do dinheiro do Estado, segundo notícias em causa estaria a compra de livros e revistas, no valor absurdo de € 400. Este caso resulta da mega queixa contra todo o segundo governo de José Sócrates, que abrangia cerca de 80 governantes, entre ministros e secretários de Estado e chefes de gabinete, feita em 2012, pela Associação Sindical de Juízes Portugueses, só dois secretários de Estado são suspeitos de uso indevido de dinheiro do Estado, no caso os dois ex-titulares da pasta da Justiça, José Magalhães e José Conde Rodrigues. 

     Ou seja a Associação Sindical que representa os Juízes todos e que entrou em litígio com este anterior governo, após este lhes ter tirado mais de dois meses de férias, com que os magistrados eram beneficiados até então ao arrepio de qualquer lógica e racionalidade de gestão, apresentou uma queixa contra o governo todo, sendo este o resultado. Os arguidos são tão somente os dois ex-titulares da pasta da Justiça e os executores desta promessa eleitoral, sancionada nas urnas pelos eleitores, com maioria absoluta dos sufrágios. Só pior do que isto, é que será um dos seus associados e por esse motivo solidário com esta queixa porque foi prejudicado, que irá julgar este caso, já se sabe o veredicto: CULPADOS!!!

     O Ministério Público e as famílias/clãs que neste mandam, mostram desta maneira, que o PS, militantes, dirigentes e os seus deputados e governantes e ex-governantes, têm que estar caladinhos e quietinhos, porque por usarem alegadamente um cartão de credito do governo para comprarem livros e revistas no valor de € 400 e deste modo se enriquecerem à nossa/vossa custa desse valor faraónico, podem ser constituídos arguidos, por literalmente, dá cá aquela palha!!!

     Falarei no próximo artigo de outro caso de justiça, por agora fico-me por aqui, mas aconselho Ministério Público a não tentarem que um partido constituído por mais de 100 mil militantes moderados e cumpridores da lei, se mova e "os decapite de vez", é que caso não tenham reparado e se as coisas continuarem a correr bem economica e socialmente, arriscam-se "a acordar a besta" e desta vez com uma provável e providencial maioria absoluta. Fica o aviso que o copo pode estar para entornar a qualquer momento.

     Outro processo Marquês, será difícil de aparecer e manter, mas falarei deste, mais à frente e não no próximo artigo. Pois as "relações de amor" têm que ser nutridas de forma constante.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Entre mim e a política,

  




   








   O meu activismo politico começou muito cedo. Durante os velhos tempos em que as escolas tinham listas de pessoal com futuro brilhante no discurso político. Eu  juntava os  "revolucionários" de carteira, pessoal que se desconhecia numa escola pública elitista e dividida socialmente. Fazia parte do que consideravam a "malta da pesada".
  
   Não foi difícil com o meu espírito abraçar a causa partidária mais tarde. O espírito caseiro já lá estava e a força política já existia, jovem e cheia de vontade de crescer. Da minha adolescência revolucionária até ao Bloco foi uma questão de tempo. Aos 20 anos já era militante de "carteirinha". O ímpeto tornava capaz der defender a minha causa política. Não havia causa tão Kafkiana como aquela que eu aceitava.
  
   Tudo muda, os tempos e o estalo da realidade levaram-me lentamente a centrar o meu espaço politico e trocando a minha simpatia revolucionária por um punhado de avanços na democracia. Não gostava, tal como hoje ainda não gosto, do estado do Estado, mas estava a começar a compreender que as minhas ideias inspiradas em revoluções e iniciativas que relembram tempos diferentes já se distanciavam do caminho traçado. Já uma professora me dizia que a história só se repete porque os remédios adoptados no passado nunca fizeram efeito para o futuro.
  
   Depois de anos aos trambolhões com quilos e quilos de livros cheios de letras e números apercebi-me que a realidade revolucionária era mera utopia. Não é tão fácil levar uma sociedade a acreditar em ideais sem que eu próprio acredite neles. Certo é que me tornei moderado, a linha revolucionária que apregoava com meros quinze anos estava mais moderada. A utópica revolução dava há luz ideias de um processo de democratização maior e mais extenso.

   Não respirei muito tempo a minha militância no BE depois disto. A distância que nos separar já não era apenas uma linha. Dúvidas, soluções, medidas, propostas e caminhos, era tanto aquilo que nos separava quanto aquilo que me distanciava da revolução social e me obrigava a procurar soluções na democracia actual.
  
   Após a saída do BE não deixei o activismo , talvez um bocado mais participativo naquilo que realmente me deveria interessar como membro de uma sociedade onde o índice de participação se confunde com a militância politica. A minha veia sectária já tinha secado, abracei a causa das pontes, do diálogo e do "paz e amor" na vida política.

   Não sou um desistente por natureza, mas existe algo em que acredito profundamente, cada vez a vida partidária é me menos interessante. Cada vez me centro mais no essencial, nos debates acesos com um aperto de mão no fim, cada vez me vejo mais outsider de uma dinâmica partidária ligada às máquinas partidárias, aos grupos internos e à mistica partidária. A politica precisa de um novo cheiro, de novas formas de ser pensada e feita. Precisa de uma mudança de paradigma que deixe a democracia respirar de alivio do clima fraccionado.

    Já o meu pai dizia para despendiar energia em algo que valha a pena desafiar. Talvez já desconfiasse que ceder ao chamamento do activismo político. Estranho é que tão rápido percebesse porque é que ele nunca alinhou na vida partidária. Entendo hoje, que tal como ele, a vida partidária se tornasse tão desinteressante.

   A questão é, fará ou não sentido a militância? Talvez demore algum tempo mas acredito que cada vez menos sentido faz.

Entre a concessão e a nacionalização, uma história chamada CTT














   Vivo em Camarate, uma Vila no Concelho de Loures. É a principal freguesia de uma União delapidada de serviços com desculpas políticas e de simpatia local. O centro de saúde para Sacavém, era apenas questão estratégica e temporária, a Caixa Geral de Depósitos fez acreditar que não existiam clientes que justificasse a sua presença em Camarate, numa freguesia em que o número de idosos é significativo, o BES desculpou-se com a infiltração na agência. Foram saindo os serviços e nunca regressaram ou foram substituídos. Hoje preparo-me, com mais 36 mil pessoas, para ver encerrar a única estação dos CTT no espaço de 13Km2.
  
  O que fazer com os CTT? É uma questão que necessita de resposta urgente, a resposta que o governo teima em não dar. Não é suficiente dizer que se está de "mãos e pés atados" numa situação se degrada ano após ano, dia após dia. Os Correios estão cada vez mais longe de corresponder ao serviço publico que lhes foi conferido. O contrato de concessão está nas mãos do governo,  escusado dizer que a situação do encerramento das agências não é suficiente para o rever, o rol de queixas já tem argumentos suficientes para que a concessão termine. 

  Está nas mãos do governo saber qual é o melhor caminho para resolver esta questão. Não cabe apenas passar as culpas ao PSD e CDS com questão da privatização. A culpa não reverte a degradação do serviço, o encerramento das estações e o despedimento dos trabalhadores. Cabe ao Governo, e a mais ninguém, ter uma resolução com a maior brevidade possível.

   António Costa tem de dar resposta aos parceiros de coligação, tem de dar resposta aos utentes, aos trabalhadores e às autarquias que se arriscam a agarra a despesa e abonar os lucros dos CTT. Neste momento não vale a pena pensar uma nacionalização imediata. O que é certo é que os trabalhadores têm de saber o seu futuro e as autarquias não podem  assumir os custos de uma empresa que a fecha a porta ao serviço publico de correios e a passos largos se torna uma instituição financeira.
 
  Os CTT têm um problema grave, estão sem rumo, sem uma linha para o futuro da empresa, nem a curto nem a longo prazo. É cada vez mais impossível os correios se manterem como concessionária dos serviço postal e a degradar continuamente o seu serviço. A sua linha accionista torna impossível a manutenção de uma empresa onde o maior accionista é detentor de 12% do capital, e a dispersão de 68% do capital está nas mãos de uma anarquia de mais de uma centena de accionistas desconhecidos (excepto o Goldman Sachs).

   Não vale a pena procurar os culpados nem apontar dedos, a situação exige uma solução rápida, e não está certamente entre as acusações de culpa. Certo é que a culpa não será dos 36 mil utentes da minha freguesia que estão cada vez mais isolados ás portas da capital. 
  
    António Costa tem de ter uma decisão, ou o fim da concessão e as consequências, ou a nacionalização e as consequências, não podemos é ficar apenas as com as consequências de uma concessão, com as consequências do desemprego, com as consequências de um serviço publico degradado, com as consequências do desemprego, e quem sabe, mais tarde com as consequências de mais um Banco que eclipsou, e de mais uma Portugal Telecom que pulverizou.

O rasgar de vestes















  Durante o período que o país está distraído, na "sorrapa" silenciosa dos gabinetes no parlamento "cozinhava-se" nova lei para o financiamento dos partidos. Todos os partidos estiveram representados e participaram nesta legislação pouco clara. Nada previa que este "caldo" legislativo acabasse com a receita exposta na comunicação social. O que parecia ser algo mais ou menos despercebido acabou por gerar a indignação, desconforto e desconfiança na classe política. 
 
  
 Após a opinião pública obter conhecimento desta negociação não demorou muito aos partidos se defenderem.  CDS e o PAN preferiram distanciar da proposta de lei e votaram contra o diploma. BE e PCP hastearam velhas bandeiras da recusa de velhas propostas que foram apresentadas.anteriormente. PS e PSD preferem falar de consensos. São os únicos cuja ausência de vergonha lhes poupa ao choro de arrependimento. Os restantes apenas a hipocrisia lhes sobra para apresentar como desculpa.

   Ora vejamos bem a estória. Os partidos ou têm uma realidade desproporcional, ou então contam com a modéstia e humilde realidade oferecida por os seus militantes. Uma sociedade informada como a de hoje, onde as redes sociais são barómetros dos estados anímicos, como é possível julgar que se poderia guardar "ade interno" a informação sobre o novo diploma? Não será que os partidos partiram de um princípio em que do lado de fora das paredes das sedes existe apenas surtos de ignorância. Um princípio da presunção demasiado fora da realidade.

   Logo após ter caído nas redes sociais BE e o PCP rasgaram as vestes e o CDS achou-se paladino da democracia.  O BE demonstrou a vontade de rever novamente o projecto de lei que o próprio aprovou mantendo a sua imagem do partido que da transparência. Acabou por abrir a porta a desculpas que revelam desconhecimento do significado de demagogia e de transparecia. 

  Não é defender posições politicas passadas que muda a sua posição de hoje. Não está em causa o projecto de lei, que pode ser sempre susceptível de várias leituras. O que está em causa é a forma como foi negociado e decidido. Foi um processo vergonhoso onde só se ausenta o PAN, que se afastou por considerar um processo opaco. Mesmo o CDS, apesar de ter rejeitado assinar tinha conhecimento daquilo que estava em cima da mesa.

  O que aconteceu não ajuda à visão do sistema politico descredibilizado. Os partidos que participaram nesta situação não perdem tempo em deixar escapar o estigma social nos partidos, e na própria democracia. Foi uma brecha aberta aos discursos populistas e anti-partidários. 

    A forma de secretismo e exclusão utilizada para chegarem a um consenso numa lei que beneficia todos foi o problema, a solução não é rasgar vestes.  Reuniões à porta fechada, secretismo nas decisões e falta de transparência bloquearam de imediato qualquer opinião favorável sobre o tema. A indignação surge pela forma como foi decidido e numa altura em que as pessoas estão mais sensíveis à época abstraídas dos acontecimentos a nível político. Não foi uma decisão por coincidência, foi com intencionalidade.

   Não vale a pena rasgar as vestes, nem mesmo o CDS, que apesar de por não assinar o acordo aceitou que as regras fossem as menos transparentes possíveis. Foi um processo lamentável, pouco democrático e que deve encher de vergonha quem representa a democracia. Todo este processo merece o repúdio pela ousada falta de escrutínio premeditado por parte daqueles que julgaram que por detrás do biombo conseguiriam fazer passar este dossier. É nesse aspecto que os partidos são culpados do descrédito em que a democracia vive.

   Talvez esteja na altura das regras mudarem e uma nova vaga democrática e partidária surgir. E este foi um dos motivos.